quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Um pouco sobre ansiedade

Ia escrever sobre algo bom, algo que me esquentasse o peito, engraçado usar essa expressão porque ainda vou escrever sobre algo que me aquece o peito, só não é algo bom.

Ja tiveram ansiedade? Quem aqui ja teve talvez se identifique, mas não necessáriamente. Os sintomas tendem a variar de pessoa para pessoa. Já as pessoas que nunca tiveram não conseguem ter muita ideia de como é, somente através relatos como esse.

Parabéns! Você tem ansiedade. Agora sua vida não esta mais sob seu controle. Não, melhor, sua vida esta sempre sobre seu controle. Você é que não tem mais controle de si. Seu corpo responde com sensações adversas que não correspondem aos estímulos que seu cérebro acredita estar sofrendo. Medo e confusão são para mim os primeiros sintomas. Primeiros que eu identifico pelo menos. Esses sintomas vem ao tentar racionalizar o que esta ocorrendo. Os primeiros sintomas mesmos são emocionais. Uma sobrecarga de sentimento, que para mim vem em forma de agitação, irritabilidade, tristeza... enfim um excesso de qualquer sensação tida como ruim. Nunca tive uma euforia gostosa na ansiedade, um excesso de felicidade. Não, euforia e felicidade só vem da calma e da conexão de si mesmo com seus sentimentos. E isso é impossível em uma crise. Bom, depois do acesso de irritação, ou medo, ou tristeza eu tento racionalizar e ai piora.

Entender a minha própria falta de controle e impotência dão ignição a segunda parte da crise. Em um segundo meu coração não mais bombeia sangue, agora ele bombeia ácido. Esse ácido corre pelas minhas veias me deixando cada vez mais inquieto. Meu peito se torna uma caldeira, mas não gerando um calor bom de ver alguém que ama e sim um calor ruim que me paralisa piorando a medida que eu vejo que não estou fazendo nada para acabar com aquela dor.

Essa noção é muito boa e tem a ver com varias outras aflições da mente. A incapacidade de se fazer qualquer coisa, quando fazer qualquer coisa é melhor que não fazer nada. Eu sei que ficar parado roendo as minhas unhas enquanto meu peito queima e eu me questiono se da para continuar vivendo assim não é o melhor jeito de agir. Eu sei que a ansiedade do “não fiz nada” passa quando eu faço algo. Mas a própria ansiedade não me permite fazer e como uma maquina vil ela se retroalimenta tomando proporções esmagadoras.

Respira.

Quando eu choro melhora. Minha ansiedade me desconecta de mim e desconectado de mim sou só mais uma preza. Mais uma vitima dessa capacidade de consumir a mente que ela tem. Agora, se respiro, se me permito transbordar o que sinto, é como se meu choro assustasse o monstro. Meu choro cobre de água não só meu rosto mas cada parte de mim. Afagando toda a dor e esfriando toda a queimação. Me põe em contato comigo. E entrar em contato comigo é mais uma vez sentir minhas vontades e minhas potências. Cortando o cordão que retro alimenta esse monstro, deixando ele mais fraco, me permitindo ser forte.

Respira.

Eu olho em volta e o mundo não mudou. O monstro foi embora e os afetos podem me permear de novo. Eu consigo finalmente andar e agir. Me sinto e sinto até felicidade. Vivo minha vida, cumpro o máximo de desejos e planos possíveis. Queimo mais chão do que qualquer pessoa que conheço, tentando sempre ter em mente o que quero e quem amo. Faço isso com um esforço monumental segurando na ponta dos dedos com unhas fincadas o meu presente e a minha felicidade. Por que eu sei que é só uma questão de tempo até escapulir da minha mão e eu ter que passar por tudo isso de novo para consegui-la.

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