terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Casa Arrumada ( Carlos Drummond de Andrade)


Quando a minha mãe me pede para arrumar mais a sala eu respondo a ela: Ta em uso mãe!
E ninguém pode descrever o orgulho que sinto ao ver minha casa desarrumada e cheia de gente feliz. Ou somente o gosto que eu tenho de arruma-la sabendo das vivencias ótimas que tenho nela. Ninguém a não ser talvez, Carlos Drummond de Andrade.
Com vocês, o único...



Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Micro-revoluções


"No mundo de hoje". Eu poderia começar o texto assim... Quem sabe falando um pouco de exemplos cotidianos que fariam com que vocês se identificassem. Porem não quero de maneira nenhuma que esse texto se torne uma grande lição de moral, e isso vai ser realmente difícil de se concluir. Com esse objetivo tentarei não direcionar minha escrita a um leitor e sim dissertarei (ou quase isso) sobre um conceito que pode se dizer com facilidade que define minha vida ultimamente.
De formas mais diversas todos que se deparam com uma visão geral da sociedade se encontrão também com um sentimento comum. Esse sentimento que passa perto de vergonha, ao lado de desanimo, parente da raiva e do não entendimento. Eu não sei se esse sentimento é mesmo definível, mas tenho certeza que ele existe e que muitos já sentiram. É aquela maneira do nosso cérebro de se indignar com a situação do mundo, do pais, da cidade, e ao mesmo tempo não conseguir pensar em nada ao alcance dele que possa mudar aquela situação. Para os mais críticos e mais envolvidos na politica a sensação chega até a se tornar um enjoo. Enjoo de tudo aquilo que poderia ser mudado, de todos os absurdos que se desdobram de forma tão absurda que se no final ficamos achando que deve ser algum tipo de brincadeira, enjoo do jeito que ninguém faz nada para que isso mude, enjoo de ser mais um que não fará nada. Porque  por mais que estejamos empenhados, e não estou falando que todos estão, não existe nada  que possamos fazer para que essa mudança aconteça em grande escala.
Sinto que a todos essa sensação é bastante comum, mesmo para quem lida de uma forma diferente. Eu, assim como qualquer um, poderia escrever parágrafos somente sobre as reações mais diversas que nascem ao se deparar com esse sentimento. Mas vou me tentar comente classifica-las em dois tipos, a boa e a ruim. Logicamente na minha opinião.
A boa já foi falada. A sensação de impotência e indignação, por incrível que pareça é a boa. E nós também temos a ruim, que abre mão de todos os sentimentos humanos de compaixão e de entendimento do próximo. Que é a reação de simplesmente fingir não ligar, de fingir estarem satisfeitos naquela situação. E essa reação por si só já me daria material para escrever um livro, provavelmente um livro de comedia. Acho cômico a maneira de pensar de alguém que olha  para algo que nitidamente o desagrada, mas diante da incapacidade de mudar ou de lutar contra ele simplesmente se acomoda, e finge não ligar. Entenderam? Diante da incapacidade de entender sua própria impotência e ele da os ombros e finge que não é impotente, ele só não liga.
Bom eu chamo a negação de postura ruim exatamente por que não abre espaço exatamente para o assunto base desse texto. Para entender o conceito que eu estou aqui a expressar é necessário amadurecer até o passo de se indignar e admitir querer mudança, admitir que se fosse capaz de fazer algo para isso, faria.
Passada essa fase é necessário também entender o mundo de uma forma um pouco diferente. Não só por uma filosofia de vida minha, mas também para que o conceito seja bem apresentado é preciso ver o mundo de uma forma mais fragmentada e, inexplicavelmente, mais conectada.  É necessário entender que a "big picture" que vemos na mídia, que nos deixa sem caminho para tentarmos mudar, é nada mais do que um aglomerado de culturas e grupos e, chegando ainda mais perto, um aglomerado de pessoas como qualquer outra.
Vendo dessa forma fica mais alcançável a visão de que o mundo macro, nada mais é do que um aglomerado de micros, exatamente como aonde vivemos e influenciamos. Todos são de igual e vital importância, uma vez que todos estão interligados. Assim quando sentimos necessidade de lutar por qualquer tipo de mudança, podemos focar mais em causar essa mudança em nós e no ambiente a nossa volta do que na  impossibilidade de ter que causar uma mudança em escala mundial. Ai nascem as micro-revoluções.
Num mundo tão interligado aonde temos acesso a noticias que abrangem o mundo inteiro o micro está se perdendo, quando deveria estar ganhando enfase. Hoje uma noticia, uma ideia, um palavra, pode se espalhar de pessoa em pessoa e com a ajuda da mídia, das redes sociais, da internet, se tornar global  e influente. E isso é somente um parentese, a ideia na pratica está muito menos focada em gerar mudanças em larga escala e sim em manter as nossas relações e as nossas ações como um reflexo do que acreditamos e do que lutamos por.
Se uma pessoa senti que o podemos cuidar melhor da natureza, não é necessário para ela gerar alguma mudança que ela se torne uma ambientalista ou vá se amarrar a uma arvore. Mas é do alcance dela fazer pequenas mudanças como separar o próprio lixo para reciclagem e expor o pensamento dela sobre o assunto. Esse tipo de mudança pode parecer pouco mais entendendo a importância do micro fica fácil de projetar que se todos que tem uma opinião parecida, fizessem pequenas ações do gênero nós teríamos uma realidade muito diferente.
Mantendo o pensamento cada pequena mudança pode refletir de pessoa em pessoa de forma quase que viral. Uma conversa de bar pode convencer uma ou mais pessoas de um pensamento e esse pensamento pode mudar a vida de alguém.
Com esse conceito vemos o que podemos fazer a partir de outra perspectiva uma visão mais realista e mais otimista do que podemos fazer para que não só a nossa vida, mas o mundo se torne mais agradável para nós. Aonde aquele mal estar pode ser transformado em ação, aonde a impotência  para mudar não existe mais. Aonde sua opinião tem muita importância e deve ser exposta como qualquer outra.
Posso abrir mais esse conceito para incluir nele minhas filosofias e crenças, posso ainda falando de micro revoluções escrever sobre o porque boas ações e um sorriso no rosto são importantes, sobre o como tratar bem alguém é uma parte poderosa de qualquer micro revolução. Mas prometi não fazer desse texto uma lição de moral, estou somente introduzindo um conceito.
Para esses desdobramentos e mais pensamentos aguarde os próximos posts...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Um pouco sobre esse blog

Depois de um tempo lendo meus posts antigos no blog anterior ( sussurros acorrentados) resolvi que era hora de criar um blog novo. Limpo de toda a imaturidade e melancolia que o "sussurros" carregava. Não me levem a mal, em momento algum me arrependo dos meus textos. Eles foram e ainda são "frames" de uma animação maior que eu chamo de meu crescimento e como tais cada um tem uma importância unica para mim.
Porém nessa nova etapa se faz necessário um blog de aparência mais leve, conteúdo menos pessoal e, principalmente, de um nome melhor.
Sei que "escrevendo-la" não é o melhor dos nomes, apesar de não carregar o peso pré-adolescente do blog anterior, mas por favor deem um tempo. Sabe o como é difícil achar um nome disponível? 
Escrevendo-la por incrível que pareça não vem de "escrevendo aqui" e sim de "escrevendo L.A." que é a sigla do meu sobrenome, mas acho que isso interessa pouco para vocês. Na verdade essa é outra ótima característica desse novo blog. Não tem mais "vocês".
Eu ainda nesse blog não tenho leitores. Aqui sou um escritor sem publico alvo, sem preferencia de quem lê, sem opiniões criticas. Sendo assim posso escrever com uma certa liberdade e tentar atrair para esse blog leitores que queiram ler esse blog. Coisa que nunca consegui fazer de forma bem sucedida. 
Sendo assim, para não me prender em um monologo arrastado sobre mudanças aqui está: 
Escrevendo L.A. - Um blog em formação, que eu espero que um dia possa servir para entreter e incentivar as mentes de quem lê.
Espero que vocês gostem. 

ps: Os primeiros post poderão ser textos já escritos que eu pensei em reaproveitar do blog antigo. Serão aperfeiçoados por isso não deixem de ler. 

Mais uma historia sobre magia. (Introdução "Renato")


Ele não fazia nada. Era a primeira vez que ele passou tanto tempo sem sair do seu quarto. A primeira de muitas vezes. Sua mãe havia viajado, sua irmã foi passar o final de semana com o pai. Ele poderia ter ido com eles, mas não via mais graça em sair de casa. E assim massacrado por uma tristeza imensa ele preferiu ficar. Preso no esquecimento que tantos e tantas coisas já conheciam.
 Era o terceiro dia que ele permanecia lá, imóvel. Seu corpo não mais coçava, seus olhos não ficavam desconfortáveis de estarem fechados. Por poucos instantes sua mente saia da dor e pensava no como ele aguentou tanto tempo sem sentir fome e sem querer ir ao banheiro, mas logo em seguida sua mente voltava a explorar o esquecimento e a solidão.
 Algo parecia certo, algo em sua depressão e em sua magoa parecia apontar para uma escapatória ou para o conhecimento, e qualquer um deles valeria a pena de ser alcançado. Sem que percebesse, sua energia se mexia intensamente, absorvia cada gota de vida no ambiente que estava. Pouco a pouco começou a absorver a até luz que corria a sua volta, o som e o ar.
“E quando a sua volta existia somente o nada, a dor, e o esquecimento” ele abriu os olhos e viu o outro lado, o reino de baixo.
Sinto não conseguir nunca passar uma descrição exata de como é esse reino. Essa existência formada somente por tudo o que foi rejeitado, esquecido. Essa descrição só poderia ser feita por alguém que já tivesse visto o reino, sentido ele com suas próprias percepções. E ninguém consegue sair uma vez dentro do esquecimento.
 Sem que fosse explicado ele sabia o que tinha feito, onde estava e, incrivelmente, o que precisava fazer para voltar.
Era como se parte dele pertencesse aquele lugar e nele se sentisse em paz.
Não poderia ficar muito tempo ali. Ele sabia que cada segundo lá ele estava mais próximo de ficar preso no vazio. E sabendo dos riscos fez o que precisava fazer para voltar.
Sabia que por melhor que se sentisse lá aquele lugar não era o lugar dele. Haviam coisas que o prendiam no mundo de cima e exatamente essas coisas que o fariam voltar. Sua respiração se acalmou. De novo de olhos fechados pensou em todos que tinham afeto por ele, lembrou de sua mãe e todas as boas conversas que compunham a sua relação com ela e o como ela sentiria falta de todas aquelas noites. Se lembrou da sua irmã e todas as coisas que ela ainda desejava fazer com ele ao seu lado. Lembrou dos seus amigos e todos os brindes que haveriam em sua homenagem se um dia ele desaparecesse. E pela a primeira vez ele se via em foco, ele sentia a sua importância. Quando abriu os olhos estava de volta no quarto.
 - UOU! - Pensou durante segundos sem nenhum outro pensamento. - Preciso de um cigarro.
 Estendeu a mão apanhou um isqueiro, instantaneamente sentiu a necessidade de coloca-lo perto do rosto e tragar. Enquanto ele tragava o ar, pequenas vias de fogo como aquelas que surgem no papel subiram pelo ar em direção a sua boca. Feito de energia pura que havia coletado, um cigarro começava a surgir. Ele havia visto esse cigarro antes, esquecido e sozinho no reino que acabava de sair. Ele lembrava desse cigarro e se alguém lembrou dele, ele também conseguiu sair.
Em poucos segundos o cigarro estava completo, como se ele sempre houvesse existido.
Depois de um trago forte ele soltou a fumaça no ar, como sempre tentando manipula-la levemente com sua mente, surpreendentemente naquele dia não era em vão. Naquele dia a fumaça começou a reagir, conforme ele pensava em formas e em movimentos ela se mexia e seguia suas ordens. Ele sorriu e fez uma referencia que descrevia tudo o que sentia:
 - Magic!*






" * " - Referencia a "Livros da Magia" parte 5 - Aonde o personagem principal após terminar sua jornada de conhecimento e descobrir toda a magia existente no mundo. Após ver com seus próprios olhos coisas incríveis só tem isso a dizer. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Um pouco sobre a brincadeira do Tumblr




Uma foto. Muito mais do que somente uma imagem bonita uma foto é o conservado de um momento. Uma marca dele não só no papel ( hoje em dia na tela e no HD) como também em nossas mentes. Uma foto pode te levar de volta a tempos mais agradáveis remeter a lembranças maravilhosas, lembranças essas que não precisam nem ser suas. Tem o poder de te deixar triste, feliz, com fome, com medo… Cada sentimento sutilmente impresso em um momento capturado. O congelado de uma sensação que ao ser captada pelo olho se descongela, sendo de novo absorvida pelo nosso corpo, nossos sentimentos, nossos hormônios. E em segundos estamos no deleite de sensações importadas, tão artificiais quanto verdadeiras, tão novas quanto antigas, mas sempre únicas e particulares.
O Tumblr proporciona um meio fácil, moderno, com um espaço único para a criatividade e design desses momentos se espalharem por uma gama de pessoas nunca antes alcançada, uma forma desse deleite se espalhar e contagiar de uma forma “viral”. Uma sensação que sempre foi passada de forma lenta, pessoa por pessoa, indo em sua residencia e vendo seu álbum de fotos. E que hoje, graças a tecnologia das câmeras ter ficado muito mais acessível (hoje quase todos os celulares no mercado possuem câmera digital de qualidade) e a tecnologia de redes como essa, é possível compartilhar de forma simples cada passagem de nossas vidas que valem a pena ser guardadas, visitadas e revisitadas.
Compartilhar: Ter parte em, participar de. Partilhar com alguém.
Palavra de aspecto quase espiritual empregado. Dividir algo que é seu com o outro. Também é uma das palavras principais nessa nova fase da raça humana. Pensamentos são compartilhados, sensações são compartilhadas, noções são compartilhadas. Hoje o mundo tem mais noção de suas proporções, de sua variedade cultural do que jamais teve e essa é uma tendencia crescente. Cada foto, texto, ideia, tirinha… que é compartilhada traz o espectador do “post” um passo mais perto do seu autor, e das percepções dele. Imediatamente, em escala global, aproxima a todos nós um passo.
Fazer isso com suas fotos, suas memorias, suas intimidades é algo no mínimo memorável e sem duvida uma brincadeira que proporciona um prazer único.
Se eu fosse medir o potencial e a qualidade de uma rede social acho que um bom indicador é o período de tempo que essa rede consegue prender a atenção e nos proporcionar uma sensação de prazer e crescimento. E nesses parâmetros o Tumblr, por enquanto, estaria entre as redes sociais de melhor qualidade e maior potencial on-line hoje.