domingo, 24 de janeiro de 2016

Palhaços

Quanto riso! Ô! Quanta alegria!

Mais de mil palhaços no salão! O Pierrot está chorando pelo amor da colombina, no meio da multidão!

Quanto riso! Ô! Quanta alegria!

Essa musica! Quem nunca se sentiu assim? Mil palhaços no salão. Riso e alegria. E a gente lá chorando de amor no meio da multidão.
Parece que o mundo não sabe que amor dói. Parece que o mundo nunca sentiu o que a gente sente. Mas “todo mundo” já sentiu. E não é que eles não lembram o quanto é ruim. É só que eles lembram que passa.

Quanto riso, quanta alegria. E eu aqui, palhaço chorando pela colombina. E nesse grupo de palhaços tem mais de mil. Colombinas, Pierrots e Arlequins. “Arlequinas”, “Pierrinas” e “Colombinos”. Arlequinos, Pierrots e Colombinos... Bom vocês entenderam. Corações. Fadados pela nossa sociedade, cultura, influencia, biologia, espiritualidade e/ou pelo motivo que for, a amar. Amar e ter seu coração, eventualmente, partido.

Para mim Vinicius falava muita merda, não só coisa boa. Falava que uma “boa” mulher tinha que saber perdoar, quase como se fosse um dever. Falava que ser um homem de muitas mulheres não tem nenhum valor, como se fosse impossível amar e valorizar mais de uma pessoa. E deus sabe o que ele não falava sobre orientação sexual e identidade de gênero, sinceramente nem imagino, mas pela época não deveria ser coisa boa... Mas ele entendeu, dentro do seu romantismo machista e heteronormativo, umas coisas que poucos  entenderam. Uma delas é que, sendo o mais lógico possível, o final de todo amor é o mesmo: a solidão.

Pode ser a morte, a distancia ou só o desamor. Mas chega alguma hora na vida de todo o amante em que ele se vê sozinho, ou com menos um amor. Qualquer opção é ruim igual. É a tristeza da falta. E isso acontece com todos nós.

Todo o palhaço chora. Toda festa tem aquele que não queria estar ali. Que se quer queria estar em algum lugar. Toda festa tem seu Pierrot.

Mas ainda assim existe muito riso, muita alegria e outros mil palhaços no salão. E alguma hora, o Pierrot para de ser o Pierrot e começa a lembrar que passa. Porque passa... E o riso vira seu, assim como a alegria. E a musica segue...



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