sexta-feira, 8 de março de 2013

Um copo meio cheio




Todos se entorpecem. Seja na procura da endorfina que cobre nosso sangue quando comemos chocolate, seja no prazer desnorteante do álcool ou até na paz e na tranquilidade de um chá de camomila. Nós passamos a vida de remédio em remédio, de vicio em vicio. Procurando saciar esse vazio que existe na condição humana. Passamos tanto tempo tentando preenchê-lo com qualquer coisa que podemos que muitas vezes se quer tentamos respirar e simplesmente se acostumar com ele.
Nós nos entorpecemos,dançamos, cantamos e nos drogamos. Procuramos no céu as respostas para perguntas que nem sabemos formular. Competimos em esportes, matamos em caçadas e em guerras, lutamos entre nós somente para focar os olhos para fora do vazio monótono e perturbador que existe e sempre existirá em nossos peitos.
Nós malhamos, nos maquiamos e nos depilamos. Colocando como meta uma perfeição física inexistente somente para que faça sentido o nosso sentimento de imperfeição. O sentimento de que no fundo estamos todos incompletos.
Nós nos machucamos, jogando nos outros nossas frustrações e tristezas.
Nós nos matamos.
E inexplicavelmente cientes disso tudo nós nos culpamos. Traçamos padrões de comportamento para julgar aqueles que saem dele. Escrevemos falsos livros aonde falsas divindades nos dizem o que devemos ou não fazer, somente para fugir da triste e agoniante verdade de que nós, simplesmente, não sabemos.
E perdidos em guerras, culpas, objetivos e obsessões não vemos que isso tudo nos define e que talvez essa seja a grande beleza de nossa imperfeição.
Nós nos amamos mais e mais, somente para achar nos outros algo para preencher em nós.
Porque algo em nossa natureza nos criou sem um pedaço e para preenchê-lo nós mudamos, mimamos e criamos.
Nós demos luz a musicas, filmes e artes magnificas. Tecemos poemas e fomos a lua.
Somos e sempre seremos bêbados, drogados, brigões, insatisfeitos, reativos, ansiosos, aflitos, inseguros, carentes e perdidos. Cabe a cada um de nós pegar esse nosso defeitos de fabrica, essa nossa fome por mudança e fazer com ela o que tantos antes fizeram. Transformar em amor, em arte, em dança, em conhecimento, em felicidade.... Sem culpa, sem ódio e sem desespero.
Sem negar a única grande verdade e grande resposta que nossa existência vai nos entregar: “Somos somente humanos”.
E como tais, estaremos sempre incompletos.




Só não necessariamente infelizes.


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