Todos se entorpecem. Seja na procura da endorfina que cobre nosso sangue quando comemos chocolate, seja no prazer desnorteante do álcool ou até na paz e na tranquilidade de um chá de camomila. Nós passamos a vida de remédio em remédio, de vicio em vicio. Procurando saciar esse vazio que existe na condição humana. Passamos tanto tempo tentando preenchê-lo com qualquer coisa que podemos que muitas vezes se quer tentamos respirar e simplesmente se acostumar com ele.
Nós nos entorpecemos,dançamos, cantamos e nos drogamos. Procuramos no céu as respostas para perguntas que nem sabemos formular. Competimos em esportes, matamos em caçadas e em guerras, lutamos entre nós somente para focar os olhos para fora do vazio monótono e perturbador que existe e sempre existirá em nossos peitos.
Nós malhamos, nos maquiamos e nos depilamos. Colocando como meta uma perfeição física inexistente somente para que faça sentido o nosso sentimento de imperfeição. O sentimento de que no fundo estamos todos incompletos.
Nós nos machucamos, jogando nos outros nossas frustrações e tristezas.
Nós nos matamos.
E inexplicavelmente cientes disso tudo nós nos culpamos. Traçamos padrões de comportamento para julgar aqueles que saem dele. Escrevemos falsos livros aonde falsas divindades nos dizem o que devemos ou não fazer, somente para fugir da triste e agoniante verdade de que nós, simplesmente, não sabemos.
E perdidos em guerras, culpas, objetivos e obsessões não vemos que isso tudo nos define e que talvez essa seja a grande beleza de nossa imperfeição.
Nós nos amamos mais e mais, somente para achar nos outros algo para preencher em nós.
Porque algo em nossa natureza nos criou sem um pedaço e para preenchê-lo nós mudamos, mimamos e criamos.
Nós demos luz a musicas, filmes e artes magnificas. Tecemos poemas e fomos a lua.
Somos e sempre seremos bêbados, drogados, brigões, insatisfeitos, reativos, ansiosos, aflitos, inseguros, carentes e perdidos. Cabe a cada um de nós pegar esse nosso defeitos de fabrica, essa nossa fome por mudança e fazer com ela o que tantos antes fizeram. Transformar em amor, em arte, em dança, em conhecimento, em felicidade.... Sem culpa, sem ódio e sem desespero.
Sem negar a única grande verdade e grande resposta que nossa existência vai nos entregar: “Somos somente humanos”.
E como tais, estaremos sempre incompletos.
Só não necessariamente infelizes.
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