sábado, 26 de janeiro de 2013

Micro-revoluções


"No mundo de hoje". Eu poderia começar o texto assim... Quem sabe falando um pouco de exemplos cotidianos que fariam com que vocês se identificassem. Porem não quero de maneira nenhuma que esse texto se torne uma grande lição de moral, e isso vai ser realmente difícil de se concluir. Com esse objetivo tentarei não direcionar minha escrita a um leitor e sim dissertarei (ou quase isso) sobre um conceito que pode se dizer com facilidade que define minha vida ultimamente.
De formas mais diversas todos que se deparam com uma visão geral da sociedade se encontrão também com um sentimento comum. Esse sentimento que passa perto de vergonha, ao lado de desanimo, parente da raiva e do não entendimento. Eu não sei se esse sentimento é mesmo definível, mas tenho certeza que ele existe e que muitos já sentiram. É aquela maneira do nosso cérebro de se indignar com a situação do mundo, do pais, da cidade, e ao mesmo tempo não conseguir pensar em nada ao alcance dele que possa mudar aquela situação. Para os mais críticos e mais envolvidos na politica a sensação chega até a se tornar um enjoo. Enjoo de tudo aquilo que poderia ser mudado, de todos os absurdos que se desdobram de forma tão absurda que se no final ficamos achando que deve ser algum tipo de brincadeira, enjoo do jeito que ninguém faz nada para que isso mude, enjoo de ser mais um que não fará nada. Porque  por mais que estejamos empenhados, e não estou falando que todos estão, não existe nada  que possamos fazer para que essa mudança aconteça em grande escala.
Sinto que a todos essa sensação é bastante comum, mesmo para quem lida de uma forma diferente. Eu, assim como qualquer um, poderia escrever parágrafos somente sobre as reações mais diversas que nascem ao se deparar com esse sentimento. Mas vou me tentar comente classifica-las em dois tipos, a boa e a ruim. Logicamente na minha opinião.
A boa já foi falada. A sensação de impotência e indignação, por incrível que pareça é a boa. E nós também temos a ruim, que abre mão de todos os sentimentos humanos de compaixão e de entendimento do próximo. Que é a reação de simplesmente fingir não ligar, de fingir estarem satisfeitos naquela situação. E essa reação por si só já me daria material para escrever um livro, provavelmente um livro de comedia. Acho cômico a maneira de pensar de alguém que olha  para algo que nitidamente o desagrada, mas diante da incapacidade de mudar ou de lutar contra ele simplesmente se acomoda, e finge não ligar. Entenderam? Diante da incapacidade de entender sua própria impotência e ele da os ombros e finge que não é impotente, ele só não liga.
Bom eu chamo a negação de postura ruim exatamente por que não abre espaço exatamente para o assunto base desse texto. Para entender o conceito que eu estou aqui a expressar é necessário amadurecer até o passo de se indignar e admitir querer mudança, admitir que se fosse capaz de fazer algo para isso, faria.
Passada essa fase é necessário também entender o mundo de uma forma um pouco diferente. Não só por uma filosofia de vida minha, mas também para que o conceito seja bem apresentado é preciso ver o mundo de uma forma mais fragmentada e, inexplicavelmente, mais conectada.  É necessário entender que a "big picture" que vemos na mídia, que nos deixa sem caminho para tentarmos mudar, é nada mais do que um aglomerado de culturas e grupos e, chegando ainda mais perto, um aglomerado de pessoas como qualquer outra.
Vendo dessa forma fica mais alcançável a visão de que o mundo macro, nada mais é do que um aglomerado de micros, exatamente como aonde vivemos e influenciamos. Todos são de igual e vital importância, uma vez que todos estão interligados. Assim quando sentimos necessidade de lutar por qualquer tipo de mudança, podemos focar mais em causar essa mudança em nós e no ambiente a nossa volta do que na  impossibilidade de ter que causar uma mudança em escala mundial. Ai nascem as micro-revoluções.
Num mundo tão interligado aonde temos acesso a noticias que abrangem o mundo inteiro o micro está se perdendo, quando deveria estar ganhando enfase. Hoje uma noticia, uma ideia, um palavra, pode se espalhar de pessoa em pessoa e com a ajuda da mídia, das redes sociais, da internet, se tornar global  e influente. E isso é somente um parentese, a ideia na pratica está muito menos focada em gerar mudanças em larga escala e sim em manter as nossas relações e as nossas ações como um reflexo do que acreditamos e do que lutamos por.
Se uma pessoa senti que o podemos cuidar melhor da natureza, não é necessário para ela gerar alguma mudança que ela se torne uma ambientalista ou vá se amarrar a uma arvore. Mas é do alcance dela fazer pequenas mudanças como separar o próprio lixo para reciclagem e expor o pensamento dela sobre o assunto. Esse tipo de mudança pode parecer pouco mais entendendo a importância do micro fica fácil de projetar que se todos que tem uma opinião parecida, fizessem pequenas ações do gênero nós teríamos uma realidade muito diferente.
Mantendo o pensamento cada pequena mudança pode refletir de pessoa em pessoa de forma quase que viral. Uma conversa de bar pode convencer uma ou mais pessoas de um pensamento e esse pensamento pode mudar a vida de alguém.
Com esse conceito vemos o que podemos fazer a partir de outra perspectiva uma visão mais realista e mais otimista do que podemos fazer para que não só a nossa vida, mas o mundo se torne mais agradável para nós. Aonde aquele mal estar pode ser transformado em ação, aonde a impotência  para mudar não existe mais. Aonde sua opinião tem muita importância e deve ser exposta como qualquer outra.
Posso abrir mais esse conceito para incluir nele minhas filosofias e crenças, posso ainda falando de micro revoluções escrever sobre o porque boas ações e um sorriso no rosto são importantes, sobre o como tratar bem alguém é uma parte poderosa de qualquer micro revolução. Mas prometi não fazer desse texto uma lição de moral, estou somente introduzindo um conceito.
Para esses desdobramentos e mais pensamentos aguarde os próximos posts...

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